domingo, 13 de março de 2011

Amor, uma última vez.

Essas palavras terão tom de despedida, mas jamais de adeus. Não é possível que eu deixe de amar-te, essa lição me foi abstraída, mas também não é possível que o amor seja um sofrimento, algo doentio, que desatina com a felicidade que todo amor deve proporcionar.

Deixo que sigas - e tentarei seguir. Nossos caminhos talvez já não se cruzem tanto e apenas o tempo poderá dizer do futuro, já que o presente sempre seguirá indefinido. Guardo-te entre tantas lembranças sublimes, como um teorema que nunca poderei decifrar, mas que acompanhará cada passo meu pela vida que deverá tomar seu curso - ainda que não tenha sido o curso desejado.

Se não te escrever mais palavras a cada dia, não entendas que já não te ame mais. Se não te ligar a todo instante, acredite que não será por maldade ou desprezo, mas que por querer-te tanto é melhor que te guarde em silêncio - no silêncio que se tornou meu coração - por todo o tempo que vier.

Não me acuses de insensível. Não me aches covarde. Escolhi um caminho que me desagrada, mas não poderei esquivar-me a essas lanças que me atira o destino. Um dia, talvez, quem o sabe? 

Só não posso mais te esperar para poder não te ferir.

Teu.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Amor, ainda que não sejas minha.


Como alguém pode impregnar-me tanto assim? Não consigo esquecer-te um dia ou minuto que passe, não consigo afastar-me de tua imagem, por mais que me esforce. Feitiço poderoso é o amor que extrapola tudo que é razoável, tudo que é racional.

Amor que supera a dor e a ausência, sentida no arrepio do simples mencionar de teu nome; sofrida no simples recordar de teu sorriso (que me está invisível).

Razoável seria desistir, mas não sou forte para tanto. Sensato seria utilizar a razão, mas o amor já me enlouqueceu. Mais simples seria desamar, mas sou complicado demais para tanto.

Amor que não me dá trégua, que não me deixa, porque é mais do que pele, é mais do que sangue e até mais que respiração. Amor que me é tão interno, amor que é meu próprio coração.

Teu.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Amor, que te fazes silêncio,

não aprendi a entender ainda teu amar, e me é quase impossível respirar sem teu riso, sorrir sem o brilho de teus olhos.

Me pedes silêncio. Silêncio então terás, ainda que minha vontade seja gritar ao mundo o quanto te amo. 

É desejo meu que as estações logo passem e que rápido volte a primavera, que todas as nuves possam dissipar-se de teu céu. Estarei de braços abertos a sempre esperar que tua barca regresse a meu porto.


Teu.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Amor, que não compreendo,

é dor lidar com tua ausência dia a dia, é cruel dizer a meu coração que não virás, é difícil meu cérebro entender que não darás notícia.

Dizes que ama-me. Mas amor não combina com ausência, e sim com vontade, com necessidade de ver-se, abraçar-se, tocar-se. Amor sem necessidade acaba não parecendo amor, mas capricho ou então outro sentimento.

Acusas-me de não pensar em ti, de não te ligar, de te esquecer. Mas como posso esquecer, se sempre estás em meu coração? Confesso que já tentei diversas vezes arrancar-te de meu peito, mas sempre fracasso em minhas tentativas. E sempre o que me resta é apenas sofrimento.

Tua barca parece navegar em outra direção que não a minha. Já não me olhas com o brilho que teu olhar imprimia. Já não me falas com o entusiasmo que tanto me alegrava. Já não sorris tão intensamente a fazer esquecer-me do mundo.

Mas parece que comigo é assim: eu sempre acabo sozinho.

Teu, sofrido numa madrugada solitária. 


sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Amor, que te fazes tão difícil.

Sinto-me em um turbilhão de sentimentos, sem saber onde apoiar os pés e a cabeça, meu mundo gira descontroladamente, como o conteúdo de um caldeirão de sensações diferentes. Meu coração, que tantos abalos sofre, não sabe que rumo tomar e tem sempre medo de decidir, porque não sei os caminhos que aparecem a minha frente.

Como folha que desprende-se da árvore e segue a direção que lhe imprime o vento, vou seguindo dia a dia, sem imaginar que alegrias ou tristezas me esperam no próximo minuto. Não sei se te verei na hora futura ou se dentro de mais alguns dias, e a dúvida me angustia, me faz sofrer antecipadamente por cada segundo demorado de tua ausência presumida e consumada.

Se me deixas na dúvida por estares em dúvida meu dia se torna escuro e o cinza que se abate em meu peito faz-me perder o sorriso e a vontade de seguir. Abandono-me ao tempo, como se este fosse condolente comigo e corresse mais depressa. Mas parece que o tempo é aborrecido comigo, pois não passa quando não estás aqui.

Se me amas, me diga sempre. Não deixe que eu esqueça ou fique em dúvida por um segundo, para aliviar minha angústia de tanto te amar e esquecer de mim. Não me deixe no silêncio, vazio que preenche o peito e mata a alma de quem ama, apenas por ressoar o eco da vontade de querer-te tão bem e com tanta intensidade. Ama-me constante, e tanto, e sempre, que mesmo quando me desencante com a vida, ilumine-me seu sorriso e sentimento. Dirija seus olhos aos meus quando eu estiver triste ou distante, para que possam me guiar de volta para a felicidade ao teu lado.

Teu.


domingo, 9 de janeiro de 2011

Amor, dona deste sentimento imperativo,

que fazes comigo, tens noção? Tamanho é o poder em tuas mãos, palavras e gestos, que tão facilmente me afetas por tua ausência imprevisível em momento e em duração, mas que ocorre inevitalmente.
Fazes tanto de repente, que meu espírito escala as alturas e alcança as nuvens da felicidade, para em seguida atirar-me de volta ao chão duro e coberto por farpas, em queda livre tão rápida. E acaba doendo tanto cada queda, que em cada vez juro não mais amar-te, como se isso fosse sequer possível, como se meu coração me obedecesse ainda, como se seu dono ainda fosse eue não tu.

É ilusão minha deter o amor. É ilusão minha ainda te amar. Mas tens o poder da Fênix mitológica ao destruir-me e recriar-me com teu desejo. Assumes o papel de algoz e libertador simultaneamente. E faço-me a pergunta vital no meio desse tiroteio: que papel prevalecerá?

Teu, ainda.